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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

MÁRCIA BELLOTTI e LUIZA PORTO RIBEIRO

À esq: Márcia Bellotti
À dir: Luiza Porto Ribeiro

No dia em que escrevo este texto, a Márcia Bellotti e a Luiza Porto Ribeiro já não habitam o pequeno apartamento que era também o seu atelier. De facto estão a mais de 8000 km da sua casa portuguesa: após dois anos e meio a viver em Portugal, regressam ao Brasil para uma pausa e para matarem saudades da família. 


A pequena sala iluminada estava transformada no atelier onde ambas trabalhavam. Não precisam de muito espaço e como vieram ter a Portugal inesperadamente, não trouxeram objectos desnecessários. 
São um casal há quase uma década e foram começando a desenvolver o seu trabalho em conjunto. Mas antes de serem dupla, trabalhavam individualmente. A Luiza estudou cinema, edição e montagem, design e música e trabalhava por conta de outrem, apesar de quase secretamente desenvolver trabalho pessoal. A Márcia sempre desenvolveu trabalho pessoal na área do cinema e das artes visuais.


Vieram ter a Portugal em 2015 através do Art Institute. De lá até cá foi um instante mas a permanência em Lisboa foi um desafio. Luiza tinha dupla cidadania, mas Márcia veio para Portugal sem visto de residência. Fui uma luta até obtê-lo e isso fê-la pensar na condição dos que estão ilegais. Sempre empatizou com o tema, mas nunca o tinha sentido na pele; houve até uma ocasião em que precisou de ir ao hospital e lhe foi negado atendimento.


Ambas consideram que contribuem para o trabalho individual de cada uma de forma indirecta. É porque partilham conversas quase vinte e quatro horas por dia que se vão influenciando mutuamente e isso ajuda a que se compreendam melhor, o que contribui para a boa qualidade daquilo que querem fazer.

'Carta de Recusa'

À Márcia interessou sempre temas relacionados com a intimidade sexual e de género dos indivíduos. Até agora os seus trabalhos contavam sempre com a participação de outras pessoas. Quando vivia no Brasil, colocava anúncios pedindo pessoas que pudessem partilhar com ela a sua intimidade e como havia um número considerável de resposta, as pessoas passavam por um processo de selecção. O número era reduzido às pessoas que lhe interessavam e a partir delas, trabalhava.


Quando chegaram a Portugal, tentou fazer o mesmo. Contactou com associações LGBTQ que aprovaram com entusiasmo a sua ideia. Mas quando chegou altura de pedir a pessoas que participassem, nem um participante obteve. Não esperava que isso acontecesse e pensa que talvez as pessoas tenham tido medo do julgamento - como elas próprias julgam tanto os outros, não querem sentir que são julgadas da mesma forma agressiva.


Ainda houve alguém que lhe respondeu, disposta a partilhar a sua intimidade sexual com a artista. Mas quando Márcia se preparava para receber a pessoa, esta enviou-lhe uma carta de recusa: afinal não se sentia confortável em falar com uma desconhecida. 
Ambas pensam que no Brasil isto não acontece porque, da mesma forma que as pessoas são mais agressivas, também têm menos medo de se mostrar, de se expor. O julgamento funciona como força para continuar e os Lisboetas, pelo contrário, deixam-se abater por esse julgamento. 


Como ninguém respondia aos seus anúncios, Márcia tentou outra abordagem. Pensou que talvez o problema fosse mostrar a cara, então colocou um novo anúncio: pedia que lhe enviassem objectos que fizessem parte 'do quarto', das relações sexuais. Em troca e como agradecimento, enviaria um objecto seu. Contanto com um avultado número de envios, recebeu um único objecto que pode ser visto aqui. A partir de agora os seus projectos passaram a ser fruto da rejeição.



Quanto a Luiza, o caso é diferente. Começou a tecer e a bordar recentemente e quando é questionada sobre o seu trabalho, a sua personalidade tímida sobressai e afirma que ainda não está pronta para dizer alguma coisa sobre ele. É recente esta forma de expressão, começou há cerca de dois anos, desde que chegou a Lisboa. Iniciou com desenhos, conjuntos de linhas que faziam estas formas, para depois evoluir para o bordado. A partir daí, sente que não consegue fazer outra coisa senão acordar e começar a trabalhar, para nunca parar até ao final do dia.


Tornou-se uma espécie de obsessão, própria de quem está a descobrir uma coisa com a qual se identifica. Obviamente que também lhe interessa a expressão da sexualidade feminina, mas tem dificuldade em chamá-lo feminista. Ficamos assim: é o que é, qualquer coisa que ainda não tem nome. É o trabalho de Luiza.



Se preferem viver em Portugal ou no Brasil? Apesar da dificuldade em manter o tipo de trabalho, em Portugal, sem dúvida. O silêncio é aquilo de que mais gostam, mas a liberdade de poder andar na rua sem pensarem em mais nada que não no caminho soma pontos. As pessoas habituaram-se a andar em transportes públicos e a sentir a tensão de poder ser incomodadas a qualquer momento. Descrevem isto com medo, como se houvesse sempre um medo no ar que já é tão natural que parece que não existe. O problema é que existe e asfixia.


Se no Brasil eram mais livres na expressão artística, em Portugal conseguem ter outra qualidade de trabalho e usufruir do tempo de forma mais proveitosa. Têm também uma preocupação a menos porque obtêm rendimentos que não da arte, o que lhes permite fazer exactamente aquilo que desejam. Mas, dizem, essa é uma liberdade aparente: é inevitável (e incómodo) estarem presas à necessidade de aprovação externa.



Sentem que agora o seu trabalho chegou a um ponto de viragem. Depois de terem exposto na MUTE, e Lisboa, é hora de terminar esta pesquisa de dois anos e começar uma nova. É o que estão a fazer neste momento.

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Os instagrams da Márcia e da Luiza apresentam uma boa parte dos seus trabalhos. 
São utilizadoras assíduas!

Os seus sites estão à distância de um clique:

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

SUSANA CARVALHINHOS

No centro de Lisboa vive a Susana Carvalhinhos, ilustradora. Vive há três meses num apartamento partilhado, que é também o seu espaço de trabalho. Mas o atelier não se cinge só à sua casa: consegue trabalhar em qualquer sítio e a mudança de ambiente frequente faz com que os trabalhos sejam mais ricos.



Abre-me a porta a sorrir com os dentes todos. É baixa, magra e cabelo recto, escondendo a clara timidez por trás de uma explosão de gargalhadas. É parecida com os personagens que invadem o seu trabalho. Gesticulando muito de cada vez que fala, é doce no trato e fala sempre num tom certo, racional e agradável, embora não seja de palavras a mais.



A casa a partir da qual trabalha tem vidros duplos, uma luz invejável e uma buganvília roxa que dá vida ao terraço igualmente iluminado. A sensação que tive quando fotografei a Susana é que parece que se funde com qualquer espaço onde esteja: passa despercebida se quiser e sabe fechar-se de modo a que não a incomodem.


A Susana foi conservadora-restauradora, o que lhe deu ferramentas para conseguir trabalhar ao mesmo tempo que é observada. Isto permite que se sinta confortável para esboçar e planear os seus trabalhos em cafés, jardins ou outros espaços públicos que escolhe consoante a sua disposição.



O que desejava mesmo era ser ilustradora. Estudou na Ar.Co e agora trabalha com a marca nipónica Winged Wheel e faz algum trabalho editorial em Portugal. Pinta em azulejo e cerâmica e concretiza alguns objectos de joalharia que estão disponíveis na sua loja.  Estes são os meios mais fiéis que encontra para contar as histórias que vai criando na sua cabeça.


O seu trabalho, quando não é feito fora de casa, está condicionado à sua pequena secretária no quarto arejado, à mesa redonda da marquise e ao terraço. Desenha com frequência na mesa gráfica, mas não dispensa os esboços a lápis - tudo depende do trabalho final.


Gosta de contar histórias a cada trabalho que faz, mesmo quando está a fazer trabalho para fora. Em termos editoriais, diz-me, pedem-lhe algumas vezes que pinte o que não se lembraria de pintar. A Susana vê isto de uma forma positiva: sair da sua zona de conforto é poder descobrir que pode estar presente em lugares onde nunca se imaginaria. Como consequência, o seu trabalho pessoal beneficia.


O seu quarto é um sítio impecavelmente branco, sem um lápis fora do sítio, com todos os desenhos muito arrumados. Apesar disso, este espaço de trabalho tem qualquer coisa de obscuro que eu não fui capaz de identificar, como se a ilustração por cima da cama lhe desse um tom negro que contrasta com a brancura envolvente.



ilustração de Susa Monteiro.

Há uma estante com livros, outra com DVDs e alguns azulejos na cómoda lateral. A janela do quarto enche de luz o espaço de trabalho e consigo imaginar por que razão aquele sítio é um bom local para desenhar: não há a mínima distracção nem um objecto a mais.



'Uso o papel como uma forma de comunicar e até de desabafo, mas não me expresso de uma forma particular para que não mace o observador - gosto da ideia que o trabalho provoque alguma coisa em quem observa. As histórias que conto no meu trabalho pessoal têm muito a ver com histórias de corações partidos e sobre a efemeridade'.




Para onde quer que vá, consegue trabalhar e adaptar-se ao espaço que tem disponível. O atelier da Susana é tão portátil quanto a sua vontade.


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A loja da Susana vale muito a pena visitar :)
A sua página de facebook e o seu instagram são tão delicados como os seus trabalhos.

Ver os trabalhos todos de seguida? Aqui!

A artista pode ser contactada para o email susanacarvalhinhos@gmail.com 

Estes são dois trabalhos da Susana que, por acaso, estavam um a seguir ao outro.
Sem querer, um deles completou o outro e eu só me apercebi disto quando revi as fotografias :)

sábado, 15 de julho de 2017

PEDRO CALHAU


Fui de Lisboa a Évora para visitar o PEDRO CALHAU, mas escrevo este texto três meses depois da visita. Estava um dia de Primavera, o que significa um calor infernal que eu não esperava. Depois de uma Sopa de Cação, encontrei-me com o artista: íamos de carro até ao seu atelier, que fica em Foros do Freixo, a 23km de Évora. 


O Pedro inaugurou uma exposição chamada 12 Montanhas há dois anos, na Galeria Módulo, em Lisboa, que fica próxima de onde vivo. Foi nessa exposição que conheci o seu trabalho e foi essa exposição que me despertou curiosidade em relação ao seu atelier.


O Pedro não vive onde trabalha. A sua casa fica a alguns quilómetros do atelier, o que lhe dá uma certa liberdade de movimento e permite-lhe separar a vida. É um caminho que gosta de fazer, apesar da solidão. Foi à volta deste tema que a nossa curta conversa se focou: o tipo de solidão que se sente no Alentejo não é a solidão a que normalmente as pessoas estão habituadas quando estão sozinhas. É um sentimento mais profundo, quase mais solitário, muito para dentro e, por vezes, impossível de suportar.
Isso é fácil de sentir assim que se dá uns passos em Évora. As próprias pessoas movem-se mais lentamente e essa lentidão está também presente na paisagem, ampla, longa, horizontal e amarela.


Os trabalhos do Pedro são também horizontais e para longe. Durante o caminho de carro entre Évora e o seu espaço de trabalho, tornaram-se óbvias as semelhanças entre a paisagem envolvente e aquilo que o Pedro pinta. As cenas que representa têm um envolvimento estranho, quase extra terrestre para quem as vê desfasadas do local onde foram pensadas e pintadas, mas assim que percorremos o caminho diário do artista, percebemos que só podiam ter sido concebidas num sítio como aquele.


Licenciou-se em Pintura pela Universidade de Évora e estudou no Ar.Co. Quando lhe perguntei se não preferia ter começado por estudar em Lisboa, diz-me que não. Que precisou do tempo em Évora, de maturar os seus pensamentos e trabalho. Quando foi viver para Lisboa já não era como uma pessoa que entra nas Belas-Artes aos dezoito anos, que passa os primeiros dois ou três a focar-se em todas as mudanças que ocorrem simultaneamente. Essa maturidade trouxe-lhe distância e capacidade para se avaliar mais objectivamente.


É importante para si escrever sobre o que faz e o seu pensamento é esquemático e lógico. Acompanha as exposições com livros que ele próprio edita, imprime e distribui como deseja. Estes livros, com imagens que serviram de ponto de partida, com investigação aprofundada, muitas vezes científica e matemática, são aquilo que explica o seu trabalho. O Pedro não é de longas conversas: é conciso, rápido e racional. Quando fala sobre o seu trabalho, diz o mínimo possível e deixa-nos à vontade com as nossas próprias considerações.


O seu atelier é um anexo exterior de uma casa. Sem qualquer janela, só com uma porta pesada que se entreabre para deixar entrar a luz e não entrar calor. Há duas mesas, paredes brancas, em que uma delas é usada para pintar, e uma série de livros, tintas e objectos variados que vai usando conforme necessita. É um atelier vivido e é nítido que o Pedro passa muito tempo naquele espaço.


Apesar da explosão de coisas dentro do atelier, o Pedro é uma pessoa organizada: trabalha de manhã, à tarde resolve outro tipo de assuntos. Por vezes vai a Lisboa, a maior parte do tempo passa-o naquela zona. Encontrá-lo não é fácil: não se vai, por acaso, ter àquele sítio escondido, em que o ambiente é pesado e quente.


Os seus projectos são todos desenhados em cadernos, autênticos livros de artista, maravilhosos de folhear, com ideias que só por vezes são concretizadas. Se a ideia existe, o Pedro desenha-a, descreve-a, faz como pode, e por vezes pinta-a directamente. Muitas vezes acontece que, tendo desenhado, satisfez a vontade de concretizá-la e não lhe faz sentido repetir numa tela em que, para si, só o formato diferiria.


Quando lhe perguntei se achava que o ambiente em que pintava influenciava aquilo que fazia, respondeu-me que talvez, que provavelmente sim, mas que faz aquilo que tem que fazer, quase como se não pudesse renunciar a essa condição de vida. Diz que trabalha em Foros do Freixo porque não quer trabalhar noutro sítio. Aprecia aquela solidão; até os carros que representa não se movem.



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O Pedro Calhau tem facebook e instagram.

terça-feira, 9 de maio de 2017

RODOLFO BISPO



O Rodolfo Bispo vive em Odivelas, numa rua que é estudada no curso de Arquitectura como exemplo de péssimo plano urbano. É assim que ele se posiciona: está inevitavelmente onde está. Dá-me a entender que estamos todos, na maior parte das vezes, numa posição que nos constringe, mas se formos inteligentes, podemos usar essa posição como motor. Há uma infinidade de possibilidades, mesmo tendo em conta as limitações inevitáveis e é possível, segundo ele, ter uma família, um trabalho consistente e um atelier a convergir no mesmo espaço. 

"I fear but only
my social death"
A primeira coisa que reparei foi na casa 'clean' que contrasta com aquilo que os seus trabalhos são: referências sobrepostas, rápidas, com muitas camadas de tinta, e sem medos. Os seus trabalhos são livres, vivos e felizes, que se desenvolvem num espaço com uma luz invejável. 


O seu espaço de trabalho é partilhado com a Sara, que é designer, e a filha de ambos, que tem dois anos. Trabalham a partir de casa e não têm zonas específicas para cada um. Mesmo não tendo um espaço próprio, quando está a preparar exposições, o Rodolfo toma conta de tudo o que é chão, paredes e mesas e todo o espaço é seu. 


Às vezes trabalham em conjunto: a bebé pinta desenhos que depois servem de inspiração e referência para o Rodolfo. Há Abelhas Maias, personagens da Disney e outros desenhos animados que, à partida, não teriam outro fim senão o de entreter durante alguns minutos. É também frequente o Rodolfo fazer esboços que a Sara acaba por utilizar no seu próprio trabalho.

"Annie Hall
White Stripes"
À medida que ia tirando debaixo da cama inúmeras telas enroladas e dobradas, fui reparando que aquilo que me chamava a atenção no primeiro olhar não era o que me fazia ficar presa ao trabalho. As camadas que o seu trabalho tem são tantas e com origens tão diferentes que somos obrigados a mudar de pensamento à medida que o olhar vai passando pela pintura. Mas nem os seus trabalhos nem o discurso do Rodolfo são confusos. Pelo contrário: ele fala sempre de uma forma tão limpa e despojada que não há como não querer continuar a conversa. 


As questões políticas são uma das suas preocupações e isso agudizou-se com o nascimento da filha. Perturba-o que as pessoas vejam sempre a partir do lado ocidental, americanizado e europeu dos problemas e que não pensem que os terroristas, às vezes, somos nós. É também por isso que desenha e que pinta tudo o que pode, sempre que pode. Tem a certeza que não pode mudar ninguém, mas às vezes uma referência qualquer num quadro seu chama a atenção a alguém que virá ver com mais detalhe. Esse momento pode ser decisivo para o sujeito se consciencializar, ainda que sem querer. 


Falar de espaço, no caso do Rodolfo, é falar essencialmente do seu espaço mental. A sua expressão não está espalhada pela casa porque ela não é um atelier, mas fica imediatamente clara quando começa a falar. As suas preocupações são desenvolvimentos daquelas que já estavam presentes no curso de Pintura, mas agora sente que consegue explicá-las melhor.


O sentido de humor do Rodolfo é apuradíssimo. De facto tentou fazer stand up, mas a experiência não foi bem sucedida. O stresse que sentia em palco era mais do que conseguia aguentar e desistiu dessa ideia. Apesar disso, o seu twitter é uma boa expressão daquilo que quero dizer e espelha também que tipo de preocupações tem. 


O Rodolfo acha sempre que aquilo que pinta é óbvio e auto-explicativo. Sempre que lhe pedi para me clarificar qualquer coisa acerca dos seus trabalhos, era como se lhe estivesse a pedir para me descrever aquilo que estava à frente dos meus olhos. E tinha razão, estava. O que lhe interessa, diz-me, não é a perspectiva que ele tem sobre o que faz, mas de que forma as pessoas lêem e até onde vai a sua interpretação. O seu trabalho termina onde termina a tela, depois é a vez do observador. E ele gosta de ficar a ouvir o que as pessoas têm para lhe dizer, o que estão a ver que ele não viu.


Quando trabalhou no CCB depois do curso ter terminado teve duas experiências que o marcaram. Passou muitíssimo tempo a ler e começou a fartar-se de histórias, de romances. Começou a ler ensaios filosóficos e sente que os seus trabalhos ganharam outra dimensão. Como era assistente de exposição, ficava muito tempo no mesmo sitio a dar indicações para a casa de banho e, ocasionalmente, tinha conversas interessantes e diferentes sobre as obras que via todos os dias. Podia ouvir as pessoas que estavam absolutamente disponíveis para falar sobre a colecção sem medos.



Ultimamente tem desenhado em cadernos, muitas vezes padrões, formas repetidas, confirmando que há um certo descanso na repetição. Gosta de trabalhar com barulho: música, televisão, conversa, podcasts ou rádio, muitas vezes em simultâneo, e de ir apanhando as referências, de deixar ecoar nas suas pinturas e desenhos aquilo que está imediatamente ali. Os seus trabalhos demoram tempo a ver e todos eles têm elementos reconhecíveis, sejam escritos ou não. 




O Rodolfo pinta até ao final da tela, usando toda a sua área. Diz que se entusiasma, mas que depois não sabe como esticá-la e engradá-la sem ferir a pintura. Algumas telas são pintadas com tinta de ardósia preta, apresentado possibilidades de intervir de outra forma no quadro depois de terminado. Como se houvesse sempre mais por dizer e o Rodolfo o previsse.



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O Rodolfo Bispo tem Facebook e Instagram
Mas o que é mesmo, mesmo fixe é o seu Twitter ;)



Os seus trabalhos estão disponíveis aqui.